Encontro de gerações: Irmã Teresa Porto e a gratidão honrada de um ex-aluno.
 
  Em 05/06/2020  
   
     
     
 

 

IR. TERESA PORTO: EXEMPLO DE FÉ E AMOR PELA EDUCAÇÃO

 

Alisson Dias Gomes*

05/06/2020

 

Antes de ter oportunidades reais, conheci o mundo e muitos acontecimentos por meio de diversas narrativas contadas com riqueza de detalhes pela Irmã Teresa Porto nas aulas de História no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Teresina – Piauí. Na última semana, ela finalizou a nobre missão de educar, evangelizar e estimular o consumo de informação dos meios de comunicação. Estes são alguns dos pilares que fazem parte do meu ser pessoal e profissional, assim como de tantos alunos de diversas gerações, devidamente estimulados por ela. Foram muitas lições aprendidas e provenientes de dados, fatos e relatos, abarcando valores humanos e princípios cristãos.

Justamente por incontáveis estórias e momentos a serem relatados por ex-alunos, pais de alunos, colegas de trabalho e religiosas, é imprescindível materializar no jornal O Dia algumas palavras de gratidão e reconhecimento a Irmã Porto. O tratamento nominal indica muito da religiosa, pois ela era porto seguro, porto de conhecimento e porto de convergência, tanto que por bom tempo foi a superiora da Comunidade das Irmãs.

Foram 54 anos de serviços prestados à Congregação das Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Sena com contribuições que perdurarão por toda a vida, haja vista ter deixado legado significativo e edificado para muitas gerações de Teresina e do Estado do Piauí por meio da Educação, da Cultura e da Fé.

Por saber que ela gostava tanto de ler, contar histórias e informar-se, é mais do que apropriado guardar no coração, na mente e nas linhas deste artigo uma singela homenagem. Provavelmente, Ir. Porto o dispensasse, por discrição e humildade, mas aí, neste caso, eu a contrariaria com a certeza de que esta desobediência é merecida e perdoável. Pessoas próximas sabem do seu interesse pela Comunicação, Educação, História e sua devoção inabalável a Jesus Cristo.

Era muito comum, vê-la enaltecer as orações, os livros e os jornais como fontes valiosas de acesso à cultura e ao conhecimento, capazes de contribuir de modo cabal para formação cristã, humanista e cívica de cada ser humano. Por isso, ela nos estimulava tanto das mais variadas formas a ponto de nos fazer crer que o mundo era mais acessível do que imaginávamos.

Recordá-la é ativar na memória o cuidado dedicado a supervisionar a biblioteca por anos e anos; é recuperar nas lembranças a presença discreta de quem ocupava no canto da escada próxima ao pátio um lugar reservado para acompanhar a interação e gritaria dos estudantes durante os recreios; é saber que Ir. Porto não teria meias palavras para chamar atenção diante da infração ou desrespeito as normas institucionais e convenções sociais.

Como toda professora marcante, Ir. Porto tinha pérolas que a definiam como frases feitas, manias e costumes característicos, demonstrações de afeto e retidão, posicionamentos firmes e fundamentados. Sem dúvida, ela educou por formação, missão e aptidão, a ponto de gerar ensinamentos diários por meio do exemplo real, da disciplina rigorosa, do posicionamento convicto, do estímulo permanente, da capacidade de motivar e da humildade comum as filhas da beata Savina Petrilli.

No nosso último encontro, sem pormenorizar data ou ano, trocamos afetos, sorrisos e histórias. Mais uma vez, elas estavam entre nós, as histórias. E, por sinal, ambos adoravam contar, sejam aquelas vividas em primeira pessoa ou as lidas em bons livros. O fato é que o elo entre a historiadora e o jornalista se consolidava a cada nova prosa, independentemente do tempo.

Após alguns anos sem visitar o Colégio das Irmãs, em Teresina, que tanto me faz bem, decidi (re)ver um pouco daquele mundo especial e lá estava Irmã Porto. Com seus óculos grandes, postura levemente inclinada, ela observava os espaços e as pessoas. Ao me aproximar o reconhecimento imediato e a abertura de braços para um abraço carinhoso, a entrega da oração do Pai Nosso, em aramaico (idioma de Jesus Cristo), e a partilha de como foi indescritível estar num lugar santo e tão significativo para cristãos do mundo todo.

Por alguns minutos, resgates afetivos, perguntas sobre amigos, conhecidos e familiares. Ao final, agradeci por tantos ensinamentos, sem saber que ali seria nosso último encontro, nossa última contação de histórias, mas ciente do quão importante é a expressão de gratidão a quem tanto nos ensina. Por isso, em nome de inúmeras pessoas: muito obrigado, Irmã Teresa Porto!

 

*Jornalista, professor universitário e

doutor em Comunicação Audiovisual

(e-mail: alissondg@bol.com.br).



Por: Comunicação - CSCJ.